terça-feira, 17 de agosto de 2010

"INTERPLANETÁRIO"

O vazio é enorme
A solidão preenche o espaço que inflama
Há corpos celestes, pontiagudos, uniformes
Alguns estão com tanta pressa que a cauda está em chamas.

Do calor extremo ao frio fixo
"Quanto mais longe do Deus, mais gelado tu és"
Luas, anéis e camadas invisíveis
Sólidos e gasosos, o contato é inalcançável e sem fé.

Girando num baile eterno em perfeita sincronia
Mas sem fazer nenhum contato.
A órbita lhes dá a vida em harmonia
Mas não há esperança; sentimento recíproco nunca dito.

A Terra é úmida, mas logo seca
Bactérias, vírus e insetos sobrevivem nela.
Sua fiel companheira a segue, doa o crepúsculo
Dando-lhe sentido ao dia e a noite.

Seguem ordens severas de seu Deus
Alguns são castigados com o calor, outros com o frio
Pelo simples motivo de estarem muito perto ou muito longe do Deus,
Vivendo no cosmo sem serem cosmonautas.

Rodeados pelos astros brilhantes
Que na realidade são capangas da Estrela-Mor-Universal
Estão em todo lugar, vigiando, sempre sintilantes
Num grande vazio existencial, espacial.

As intenções são puras
Mas o Azul está adoecido.
Desenvolveu bactérias em seu corpo, não há cura
Está sendo destruído, está aborrecido.

O Azul já não é mais o mesmo,
Está revoltado, sente dores agudas na pele, terremotos, furacões, chora alagando,
Não respira mais direito, se viciou em seu próprio veneno,
Dizem que tem febres, que vive a esmo.

E o que seu Deus faz? O castiga mais e mais:
Por ter sido tão tolo, por ter deixado os animais
Para dar privilégios humanos a seres destrutivos
Que nunca deram nada em troca e não darão jamais.

E o que o seu Deus faz? O queima mais e mais:
Diz que é para o seu bem, para queimar
As bactérias ali existentes; matá-las irá trazer paz?
O Azul poluído suplica: "-Por favor, não me torturem mais!"

Mas o que eu posso fazer?
Sou só mais uma bactéria racional, obrigado a lhe fazer mal
Quando nasci já estava assim,
Será que só sobrevivo se tratá-lo assim?

Pense...

Adriano Alves
17/08/10

Não sei se fiz certo, mas já está feito.
Postei meu pensamento, e digo: sou um ser sideral.

E para ilustrar ritmicamente tudo isso:


Björk
"Desired Constellation"
Medúlla
dir: Lynn Fox
(tradução aqui)

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