sábado, 2 de outubro de 2010

O tal do BULLYING

BULLYING é o termo inglês (explícitamente falando) pra discriminação (ou perseguição), que ocorre principalmente na fase escolar daquelas pessoas que para o padrão de vida normal que você leva, não se adequam, seja por agir de uma forma estranha, por sou aparência ("feia aos olhos das pessoas fúteis"), por ter alguma anormalidade no corpo, pelo jeito de se vestir, andar, falar, pentear os cabelos, até mesmo por respirar, por sua cor de pele, ou por sua aparente SEXUALIDADE... e alguns outros motivos tão mais supérfulos quanto esses.

Sim, eu sofri desse tipo de violência contra a moral e princípios pessoais na maior parte da minha "vida" escolar:

Me lembro de até a 3ª ou 4ª série ser uma criança considerada "normal" aos olhos das outras crianças, até elas perceberem que eu tinha algo diferente do comportamento delas.
Não sei exatamente quando isso começou, mas vi que se afastavam de mim, cochichavam a meu respeito, não sabia porquê, até o dia em que um menino e uma menina chegaram na carteira que eu sentava e perguntaram bem alto: "-Você é menino ou menina?" Claro que sabiam o que eu era, mas depois desse dia, as provocações, brincadeiras de mau gosto passaram a ser parte do meu dia-a-dia.
Nunca me defendi das provocações deles porque tudo que fizesse ou dizia era motivo pra piada. Achei que aquilo ia acabar com o tempo e esqueceriam de mim, mas isso não aconteceu.

Aí você se pergunta: "-Tá, mas você não pediu ajuda de um adulto?"
Claro que sim, me queixei inúmeras vezes com a professora, mas o máximo que ela fazia era gritar: "-Parem com isso!" Diante do descaso que ea fazia, vi que ela era pior que eles.
Em casa, meus pais diziam: "-Se você apanhar na escola, quando chegar em casa vai apanhar de novo! Você tem que aprender a se defender e ser macho!" Ouvir isso só me dava mais medo ainda.

Depois de um tempo, aprendi a filtrar as palavras que se dirigiam à mim ou sobre mim. Não fazia diferença se me elogiavam, defendiam ou xingavam, eu simplesmente não ligava. Também não falava com ninguém, aliás não abria a boca nem pra rsponder a chamada. Levanta o braço, sem se importar se o professor visse ou não.
Haviam outras crianças na mesma situação que eu, mas todas agiam igual, se isolavam como forma de proteção.

O que começou na 4ª série se estendeu até ao Ensino Médio, onde tudo piorou:
No 1º ano, tinha 16 anos, estudava 5hs por dia, em outra escola, com outros alunos. Isso me encheu de esperança porque achava que as coisas iam melhorar. Pura inocência, só pioraram. Os "alunos" novos eram maiores que eu, destruiam a escola, eram agressivos... Eu agia igual, com a mesma indiferença da outra escola, mas o pior dia da minha vida aconteceu naquele ano. O sinal pro intervalo bateu e quando eu ia pro pátio, um dos "alunos gente boa" colocou o pé na frente e eu caí na escada... fui parar lá embaixo. Todos que viram a cena começaram a rir, TODOS! E ninguém foi me ajudar. Eu caí deitado de barriga pra baixo e quando olhei em volta e vi todos rindo da minha cara não aguentei e comecei a chorar, lá sentei no chão e continuei a chorar, enquanto uns passavam e chutavam minhas costas. Até que explodi e comecei a gritar com toda força: "-CALA A BOCA, CALA A BOCA DESGRAÇADOS, FILHOS DA PUTA, MALDITOS...!"
Por que fiz aquilo? Foi pior ainda: a escola TODA começou a gritar: "-VIADO! VIADO! VIADO!..."
Saí correndo pra sala peguei minhas coisas e fui embora correndo, enquanto uma multidão vinha atrás de mim gritando em côro essa ilustre palavra. Corri pra diretoria, que tinha mais grades que uma prisão, e implorei pra ir embora. Não deixaram, então fugi. Abri o portão automático e saí correndo.
Depois desse dia (era final de outubro), não fui mais pra escola. Todo dia, de manhã, pegava um ônibus qualquer e ficava rodando SP inteira, ia pra biblioteca, pra algum parque... qualquer lugar era melhor que a escola. (meus pais não sabem disso, shhh!)
O mais estranho é que mesmo com mais de 2 meses de falta, não repeti.
Outro fato, é que o menino que colocou o pé pra eu cair foi assassinado no fim daquele ano pela polícia, na tentativa de roubar um banco.

Apesar disso tudo, nunca pensei em largar a escola. Eu tinha uma visão totalmente distorcida dos professores, do sistema de ensino e das matérias, mas adorava estudar, ler, aprender...

No ano seguinte (2007), voltei pra essa mesma escola, mas agora estudando à noite (19h às 23h).
O clima daquele escola era completamente outro. As pessoas eram mais velhas e tinham um ar de simpatia. Os dois últimos anos do E.M. foram agradáveis, mas eu já estava inseguro demais pra fazer amigos e tinha (tenho) medo da rejeição e sempre parece que haverá uma parede que me separa do mundo das outras pessoas. Desenvolvi, nesse meio tempo, (o que disse uma tal psicóloga), uma coisa chamada TRANSTORNO MANÍACO-DEPRESSIVO ou BIPOLARIDADE LEVE.

Aquelas situações em que me colocaram, de humilhação e rejeição (porque tinham vergonha de andar ou falar comigo) viraram cicatrizes que vão ficar pra sempre comigo.
Mas por outro lado, sinto que se isso não tivesse acontecido não teria descoberto o mundo obscuro dos livros, das músicas, da ARTE. Não teria desenvolvido uma sensibilidade na percepção do comportamento humano e da natureza. Me sinto bem hoje, apesar de ser inseguro, tímido e bipolar.

Agora deram um nome pra isso: BULLYING e se você pratica ou já praticou essa atividade cruel com alguém, saiba que você pode destruir a vida de uma pessoa, deixá-las depressivas, introspectivas, violentas... Fiquei sabendo de um menino que estudou comigo se matou, depois que passaram a persegui-lo, quando revelou sua sexualidade.

Enfim, contei minha história pra ilustrar o novo clipe do Eminem, que trás o bullying como tema.
Prestem atenção no menino que protagoniza o clipe. Me cortou o coração ver essas cenas... não chegaram a me bater, mas palavras e atitudes ferem mais que socos. E as consequências nunca serão boas diante de tanta violência corporal e moral. Portanto dê play e nunca se esqueça:

"QUEM BATE NÃO LEMBRA, QUEM APANHA NUNCA ESQUECE!"


Eminem feat. Lil' Wayne
"No Love"
Recovery
dir: Chris Robinson

2 comentários:

Gledson (@ciclorganico) disse...

Se puder, assista o filme "Bang Bang, vc está morto". Aborda o tema.

Aaddrriiaannoo disse...

Assitirei sim, Gledson!
Valeu pela dica :)