domingo, 11 de dezembro de 2011

Playlistismo: Embaixo d'água

Gasosa, líquida, sólida.
Permite a vida e permite a morte.
Poluída, cristalina,
Oceano, rio, lagoa, piscina.
Seus misteriosos habitantes,
Sua umidade sufocante.
Do céu, às profundezas,
Produto bruto da natureza
Sai de nós no esforço, na mágoa,
E mata afogada,
E dá vida ao peixe,
E mata a sede,
Com um simples copo d'água.


sábado, 12 de novembro de 2011

O Videoclipe Documental

Nos últimos anos, uma linguagem diferente nas obras videoclípticas vem se consolidando, deixando um pouco de lado a principal função que o clipe tem: o de vender a música. Artistas mais "engajados", com a ajuda de diretores mais experimentais, vêm criando um tipo de videoclipe narrativo-documental, ultrapassando os limites da música e se extendendo, em algumas peças, à mais de 10 minutos, narrando um fato de descaso real, sentimental, orgânico ou baseado na relidade. A linguagem de short film vem sendo usada com um propósito mais realista do mundo globalizado, servindo como forma de alerta, protesto, expressão... incomodando os olhos dos espectadores, onde a música fica meio de segundo plano, devido às fortes mensagens visuais que trazem.
A inclusão digital e tecnológica vem ajudando esse cenário, onde aparecem artistas das periferias do mundo, usando o clipe como forma de denúncia. A marginalização da cultura periférica e a restrição ao acesso da arte mais elitizada, tida como mais experimental e de mais dificuldade de compreensão criou uma barreira na difusão das obras. E esse jeito diferente de videoclipe quebra um pouco esse distanciamento, mesmo que sejam feitos por artistas ultra-alternativos com uma pegada mais sentimentalista, social ou política.
Ainda que sejam mais politizados, esses clipes não agradam muito o público, nem a mídia, que por vezes, censura ou restringe a exibição. Os detentores da opinião pública e da arte não gostam que seu público saiba da verdade, não querem a grande massa populacional com senso crítico apurado. Mas, ainda assim, o número de clipes nesse estilo aumentou nos últimos anos, e a linguagem documental [fictícia ou não] vem sendo usada por muitos artistas, ainda que contra a vontade das grandes gravadoras.
A seguir, exploraremos algumas destas obras videoclípticas, por vezes impactantes, e seus conteúdos que fazem paradóxicos com a realidade mundial contemporânea:

Em 1989, Public Enemy e Spike Lee organizaram uma passeata contra o racismo e a violência no bairro do Brooklyn, em Nova York. Uma multidão apareceu pra gravação do clipe, que mostra que na concepção de herói ou ídolo de um grupo, o negro nunca era incluído, com críticas a cultura negra adaptada para brancos, como aconteceu com a música de Elvis Presley.

Public Enemy
"Fight The Power"
Fear Of A Black Planet
dir: Spike Lee



Dirigidos por Michael Moore, o clipe para Testify, dos Rage Against the Machine lançado no ano 2000 é uma tentativa de desmascarar as campanhas políticas estadunidenses, mostrando as semelhanças nos discursos dos principais concorrentes da época: George W. Bush e Al Gore. A alerta da banda não foi bem ouvida e no ano seguinte, mais precisamente no dia 11 de setembro ocorreu aquele grande espetáculo que repercute até hoje no mundo. American way, baby!
Rage Against The Machine
"Testify"
The Battle Of Los Angeles
dir: Michael Moore



Continuando na linha de videoclipes de protesto, no dia 15 de fevereiro de 2003 aconteceu pelo mundo todo uma série de protestos e passeatas contra a guerra que os EUA haviam iniciado contra o Iraque. As cenas do protesto viraram um clipe para a música Boom!, do System of a Down, dirigido pelo ousado documentarista Michael Moore. O clipe foi censurado na Europa e nos EUA, classificado como impróprio para menores de 18 anos. A sátira com George W. Bush, Saddam Houssein, Osama Bin Laden e Tony Blair foi um dos motivos da censura:

System Of A Down
"Boom!"
Steal This Album
dir: Michael Moore



Já o video de Sleep Now in the Fire, a crítica foi contra a rede de supermecados Wallmart, à promessa de programas de TV que prometem deixar pessoas milionárias e ao consumismo. A filmagem acabou na prisão da banda e do diretor do clipe acusados de baderna. Quem é opressor?

Rage Against The Machine
"Sleep Now In The Fire"
The Battle Of Los Angeles
dir: Michael Moore



Emicida, ao contrário de outros rappers, fez a rima de Rua Augusta para mostrar a realidade e o que leva uma mulher ao submundo da prostituição. Colhendo depoimentos na Vila Mimosa, point do Rio de Janeiro, chegaram até Rosana, que achou na prostituição um ganha-pão para sustento de seu filho e de si própria. Dessa vez criticou-se a prostituição e não a mulher que se prostitui. "A ideia tanto da rima como dos vídeos é tirar esse glamour da prostituição".

Emicida
"Rua Augusta"
Emicídio
dir: Felipe Rodrigues e Lucas Gandini

>> O clipe gerou o mini-documentário Além da Rua Augusta, que segundo Emicida, a ideia era “humanizar a coisa, mostrar a luta de uma mãe com seu filho, dois contra o mundo. Acho que conseguimos…”




Em Saturday Come Slow, do Massive Attack, a música fica em segundo plano pois o princípio do video é uma campanha de um coletivo chamado Zero dB contra o uso de música como instrumento de tortura na base militar americana de Guantánamo, em Cuba. Com 8 minutos de duração, mostra-se um depoimento e uma explicação científica sobre os efeitos agonizantes que esse processo causa,  com algumas demonstrações intensas do uso de distorções sonoras que os prisioneiros se sujeitam por meses ininterruptos. A campanha surgiu em junho de 2010, onde músicos se juntaram e gravaram uma música sem som.

Massive Attack feat. Damon Albarn
"Saturday Come Slow"
Heligoland
dir: Adam Broomberg / Oliver Chanarin

Na 1ª versão do clipe para a canção The Answer, há uma intimista reflexão desarrojada sobre as intervenções que fenômenos da natureza causam nos humanos e  uma nostalgia de tempos memoráveis de juventude, relatados pelo ator Ray Winstone. Um acontecimento aparentemente real com uma força motivadora, que torna-se uma reinvidicação vital, numa montagem e no uso do tempo narrativo, refletido pela qualidade cinematográfica do diretor. A música também fica em segundo plano nessa obra:

UNKLE feat. Big In Japan
"The Answer (vr.1)"
Where Did The Night Fall
dir: John Hillcoat

Já na 2ª versão, não há diálogos e a música fica mais em evidência, sincronizada com cenas do documentário sobre surf e snowboard Lives of the Artists. As belas imagens completam a música e vice-versa. Uma troca inexorável:

UNKLE feat. Big In Japan
"The Answer (vr.2)"
Where Did The Night Fall
dir: Ross Cairns

Em 2008 a cantora Dido, pra divulgar as músicas de seu então novo álbum, chamou 11 diretores de países diferentes para gravarem um clipe-documental para cada música do disco. Com temas girando em torno do que “estar em casa” significa para eles, vieram videos de países como Nova Zelândia, Tailândia, Inglaterra, Escócia, Índia, Portugal, França e EUA. Entre os diretores escolhidos está o fotógrafo e cineasta carioca Marcos Prado, diretor de “Estamira” e produtor do documentário “Ônibus 174″.
Marcos Prado tornou em realidade a  música “Us 2 little gods” com imagens do premiado “Estamira”, de 2006. O filme conta a história de uma senhora idosa que viveu e trabalhou durante 20 anos no Depósito de Lixo de Jardim Gramacho e fez do local seu conceito de lar no Rio de Janeiro. Segundo Prado, a idéia do clipe, batizado de “Lady Landfil”, era mostrar a relação curiosa de amor, carinho e amizade que Estamira e seus amigos dividiam neste velho lugar, chamado por eles de casa.
Dido
"Us 2 Little Gods"
Safe Trip Home
dir: Marcos Prado
Os filmes mostram histórias de esperança, amor, comprometimento e pertencem ao mundo todo, como um motorista de táxi em Mumbai, a costa acidentada de uma ilha ao sul de Nova Zelândia, um ringue de boxe na Tailândia e uma pitoresca vila de pescadores em Portugal. Os outros clipes desse projeto estão no canal da cantora no YouTube.


A proposta para este clipe foi simples: documentar uma apresentação surpresa do REM numa escola. O resultado foi:

R.E.M.
"All The Way To Reno (You're Gonna Be A Star)"
Reveal
dir: Michael Moore



Das entranhas da megalópole de Los Angeles até a mais selvagem da natureza , no meio dos desertos da Califórnia com cadeias de montanhas e lagos. Este é o caminho que o ator Carel Struycken (The Adams Family, Star Treck, Men in Black) faz em busca de si mesmo, narrando o quão difícil é o convívio com a civilização devido sua notável aparência. Nessa obra, mais uma vez a música serve como pano de fundo da narrativa de Carel, com bonitos takes do que a civilização e a natureza tem a nos oferecer, mas estamos muito ocupados com nós mesmos para perceber. 

Tika
"For Better Or For Worse"
In A Cabin With Tika
dir: Victor Vroegindeweij


Se alguém desavisado assistir ao próximo clipe, com certeza irá acreditar que se trata realmente de um reality-show em que dois dançarinos profissionais estão em busca dos dançarinos perfeitos para uma coreografia chamada Bubble e assim, participarem de uma competição de dança. Apesar de ser fake, é divertido por causa dos personagens e da edição pop que Cédric deu ao video. It's a Bubble, bitch!

Beni feat. Sean Dealer & Turbotito
"It's A Bubble"
House Of Beni
dir: Cédric Blaisbois


Se outro desavisado e sem senso crítico assistir ao clipe Stress com certeza irá pensar que o video incita a violência gratuita, o racismo, o machismo, o vandalismo, a xenofobia... dando um golpe de marketing para vender a música do duo francês JUSTICE. Outros já podem achar que o video é um protesto cinematográfico contra toda e qualquer forma de violência, influenciado por filmes como Laranja Mecânica.
Mas segundo a dupla, a intenção era fazer um clipe que seria censurado pela TV para uma música que foi censurada pelo rádio, numa paródia de como a mídia jornalística sensacionalista trata as notícias, principalmente quando envolve a violência nas periferias. A ideia era abrir um debate, levantar questões, algo feito regularmente pelo cinema, literatura e arte contemporânea, mas que não acontece muito no YouTube, onde os videos de bullying, recitais de poesia, pornografia e artes em geral se misturam com poucos minutos de duração.
De um jeito ou de outro, Stress serve bem para ilustrar o quão duvidoso é o conteúdo do YouTube e das mídias convencionais e o quanto as notícias são má interpretadas e manipuladas. Um clipe-documento para uma questão importantíssima, do qual considero um dos mais geniais já feitos até hoje.

JUSTICE
"Stress"

dir: Romain Gravas


A solidão de um assassino sociopata, narrada em francês e interpretada no video 27/19, mostrando porque começaram os crimes e como ele os praticava, legendado em inglês:

Kinder
"27/19"
Kinder
dir: Gustavo de la Torre Casal



Numa mistura de documentário e filmes de ficção científica russos, All Nightmare Long traz um footage de cenas que formam uma aterrorizadora história, que mostra o resultado de uma experiência científica feita com os esporors de um cometa que caiu na Terra, e que tinham substâncias que ressuscitavam seres mortos, mas os deixava extremamente violentos e indestrutíveis. Um caos nuclear se fixa no planeta e que, quando parece estar sob controle, novas experiências arriscam mais uma vez a vida na Terra. Digno de replays!

Metallica
"All Nightmare Long"
Death Magnetic
dir: Roboshobo


E para encerrar essa lista, mais um video do Massive Attack, dessa vez para a música Paradise Circus, que serviu apenas para trilha sonora do mini-documentário-videoclíptico sobre a atriz pornô e ex-prostituta Georgina Spelvin, com seus 73 anos de idade falando abertamente de sexualidade, comentando sobre orgasmos e prostituição, com cenas entrecortadas dos seus grandes clássicos do cinema pornô como O Diabo na Carne de Miss Jones, (1973) e Garganta Profunda (1972). Contém cenas de sexo explícito, então cuidado se for ver em público, pois é digno de replays:                     

Massive Attack feat. Hope Sandoval
"Paradise Circus"
Heligoland
dir: Toby Dye


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O conceito de videoclipe documental parte para um lado mais fictício, porém baseando-se na realidade, já que não possui as mesmas barreiras do cinema documentário. Com propósitos apelativos para alguma causa, essa outra "vertente" cinematográfica acaba se sujeitando a casos de censura, mas passam a mensagem de um jeito forte e questionador. O objetivo é fazer com que o cérebro do telespectador pare pra pensar. Por serem mais subjetivos, estão cheios de brechas interpretativas.
Essas são minhas interpretações para os videos, mas agora você concretiza a sua, nos comentários!





quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crianças Videoclípticas!

Como é dia das crianças, também vou comemorar, com uma lista de clipes com adoráveis criancinhas atuando em adoráveis videoclipes da músicas adoráveis. Talvez deploráveis.



Youth Lagoon
"Montana"
The Year of Hibernation
dir: Tyler T. Williams




Audioslave
"Doesn't Remind Me"
Out Of Exile
dir: Chris Milk




Sigur Rós
"Glósóli"
Takk...
dir: Arni & Kinski



The Books feat. Mikey Zammuto
"Classy Penguin"
Playall





Xiu Xiu
"The Fox And The Rabbit"
The Air Force
dir: Cam Archer




Man Man
"Piranhas Club"
Life Fantastic



Bon Iver
"Holocene"
Bon Iver
dir: Nabil




Foals
"Blue Blood"
Total Life Forever
dir: David Ma





System Of A Down
"Aerials"
Toxicity
dir: David Slade / Shavo Obadjian





Sonic Youth
"Little Trouble Girl"
Washing Machine
dir: Mark Romanek







The Temper Trap
"Love Lost"
Conditions
dir: Dougal Wilson











Jessie J
"Who's Laughing Now?"
Who You Are
dir: Emil Nava










Cássia Eller
"Malandragem"
Cássia Eller
dir: Izabel Jaguaribe / José Henrique Fonseca






Vanessa da Mata
"Não Me Deixe Só"
Vanessa da Mata
dir: Alê Abreu / Priscila Prade







The Sound Of Arrows
"M.A.G.I.C."
Voyage
dir: Andreas Öhman / Oskar Gullstrand



Art Of Noise
"Close (To The Edit) - [vr.1]"
Who's Afraid Of The Art Of Noise?
dir: Zbigniew Rybczynski



Is Tropical
"The Greeks"
Native
dir: Megaforce




Skrillex
"First Of The Year (Equinox)"
More Monsters And Sprites
dir: Tony Truand




Squarepusher
"Come On My Selector"
Big Loada
dir: Chris Cunningham




LFO
"Freak"
Sheath
dir: Daniel Lévi




Aphex Twin
"Nannou"
Windowlicker EP
dir: Laurent Briet





The Chemical Brothers
"Do It Again"
We Are The Night
dir: Michael Haussman




Portishead
"All Mine"
Portishead
dir: Dick Caruthers




Sepultura
"We've Lost You"
A-lex
dir: André Moraes




tUnE-yArDs
"Bizness"
w h o k i l l
dir: Mimi Cave




Sigur Rós
"Viðrar Vel Til Loftárása"
Ágætis Byrjun
dir:  Stefán Árni Þorgeirsson / Sigurður Kjartansson 



Sigur Rós
"Untitled #1 (a.k.a. Vaka)"
( )
dir: Floria Sigismondi



Aqui tem muito mais clipes com crianças... Vem brincar de clicar no play!

domingo, 21 de agosto de 2011

Seu dia de sorte no inferno

A sorte lançou as pedras no caminho para que, no primeiro tropeço, ela caísse pra fora da estrada. E, de fato, caiu. Entretanto, isto não lhe foi de tanto mal. Fora do caminho tudo era mais interessante e quando os lábios não tinham nada por dizer, eles ficavam selados.

Assassinatos psicóticos começaram a ocorrer. Boletins de ocorrência eram os únicos desejos nas delegacias. A sorte pôs-se a matar. Matou quem a desejava com fervura. Nas mais sujas e simples trapaças, cada vez mais gente caía fora do estrada, que por pior que fosse o tombo, não machucava tanto comparando-se ao tombo de uma ponte. Mas o caminho todo eleva-se a ponte. Afortunados são os que não atravessam pontes, pensava a sorte.

Mas, por mais oblíqua e intra-renal que fosse, a Sorte, em seu estado único e capacidade voraz de convencer o destino a mudar de opinião, a Sorte bocejava para aqueles que mais necessitavam de seus alardes. Pessoas já apodridas, podres continuariam se dependessem da boa-vontade sorteada.

A ironia, então, ao observar tamanha fraude que a Sorte praticava, palhaça que era, resolveu estacionar na faixa principal do destino da Sorte. Para tanto, a Sorte agora precisava de sorte. Estava vã e cega. Adoeceu nas entrelinhas. O destino? Não se importou um segundo que fosse. Quem o manipulava desde sempre fora a moribunda Sorte.

Sorte, quem precisou dela nunca foi atendido. Agora ela precisa dela mesma, mas não há caridade que atenda algo tão complexo. Pois, quem tem a força para dobrar a esquina do destino, quando adoece, não há quem cuide: Não há algo mais forte do que a coisa mais forte de todas, mais forte que a própria morte! No caso, a sorte.

Neste dia, por deliberada ironia, a Sorte aprendeu então que não se sabe quem pode estar a tocar a campainha!


eels
"Your Lucky Day In Hell"
Beautiful Freak
dir: Jamie Caliri

O Reflexo da Porcelana Nos Olhos de Quem Ama

A porcelana não é vidro
Mesmo assim, se quebrou.
O pajé proclama a tribo:
"Nosso fim, fim de mim, fim da dor"

Traga as metaloproteínas
Às pneumáticas meninas,
Surpreendente sina
Do assassino na chacina.
Falta de vitamina.
O balaço atravessou a retina.
O reflexo da porcelana se encaminha...
Sangra amor, se faz de vítima, se contamina
Com aquela proteína transportada pela hemoglobina.

Ar-ras-ta-da-de-pres-são
Pres-sio-nan-do-a-pai-xão,
Romântico suicida, mode-on.
Ocorrências com frequência,
Frequentada eloquência,
Sanidade é a sentença.
Senta-se esperando o que não se sente,
A mente mente,
Veneno de serpente,
Agente concorrente,
Tente, tente, tente!

Tente enxergar quando o reflexo da porcelana se quebrar.
Tente não cegar quando o sexo de quem amas se mostrar.
Porque embaixo ou encima da cama,
Posição sagrada, posição profana,
O ápice dispara, com apreço e tara
O reflexo da porcelana nos olhos de quem ama.


Moby
"Porcelain (vr.1)"
Play
dir: Jonas Äkerlund

So this is good-bye...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A cristalização galáctica de Björk Guðmundsdóttir




Björk está de volta, goste ou não. Quando Björk volta quer dizer que algo novo virá, foi assim a cada novo álbum dela desde 1993. E durante sua carreira esse ser islandês já passeou, mastigou, distorceu e repaginou praticamente todos os ritmos musicais do Planeta Som: Do punk anarquista ao drum'n'bass...
Daí que esse blog pagão é adepto à ela e esse ano ela lança Biophilia, um álbum em parceria com a Apple todo trabalhado no iPod e será lançado como um aplicativo. Viu? Coisa nova!

O primeiro single é Crystalline e por isso vamos ao clipe:
Com a parceria já antiga, mas sempre inovadora, de Björk com o genial Michel Gondry, o video é uma mistura de animação gráfica, stop-motion e, praticamente, artesanato de areia.

Não vou ousar tentar explicar esse clipe, porque eu teria que ser meio astro-físico e entender de astrologias etc. pra chegar a uma resposta decente. Mas meu palpite é que ao som de Crystalline, cai uma chuva de meteoros, que fertilizam a terra de um planeta sem graça e fazem crescer cristais em seu solo, que emitem sons cristalinos. Björk pode estar representando o nosso amigo Sol, emitindo raios flourescentes para que os cristais façam sua fotossíntese e, a partir daí, possam se multiplicar pelo planeta e, posteriormente, se arrastar a outros planetas formando então uma galáxia cristalizada, provavelmente chamada de Crystalline.
Os desenhos de Gondry representam as raízes dos cristais, que por serem regados por chuvas de meteoros e banhados por raios de sol/Björk fluorescentes, transformam o subsolo em um enorme campo magnéico (provavelmente positivo, seguindo o conceito dos prótons e elétrons) que alcança o núcleo do planeta.

O resultado dessa mistura é uma claustrofobia planetária subjulgada frenética, que pode ser vista no final do clipe, quando os cristais octógonos e polígonos viram caquinhos, formando uma espécie de órgão sônico ramificado, murmurantemente grave, expandido pelos dedos da Björk-Solar, transformando então os cristais em faíscas. Dá-se então a moral da história:

"É a faísca que você vira
Quando subjulga a ansiedade..."
Nada muito conceitual, que não fará os hipsters pirarem nadinha. Eu pirei por acaso? 
Dá play então, porque essa obra é digníssima de replays:
Björk
"Crystalline"
Biophilia
dir: Michel Gondry

domingo, 24 de julho de 2011

Videografia Amy Winehouse

Há tempos sem tempo pra postar nada no blog, não pude deixar de lado o fato triste e assustador da morte de Amy Winehouse, que pra mim é um algo que me entristece não só por sua morte (independente do motivo), mas pelo fato da imprensa e, posteriormente, as pessoas em geral brincarem com esse tipo de situação / perda como se fosse algo distante. Basta parar um pouco e analisar o seu círculo de pessoas: com certeza (se não for você mesmo) haverá alguém com algum vício em algum tipo de droga. Por isso não via motivos pra brincar com seu estado e a perseguição demoníaca da imprensa mundial atrás de algum escândalo da moça me davam nojo. Nunca parei pra ler ou assistir nada a respeito disso.
Mais nojento ainda é o que escuto sair da boca da nata moralista a berrar: "-Bem feito, drogado tem que morrer mesmo..." Mas e o talento por trás dos problemas? Por que nunca foi o ponto mais comentado sobre ela? Ora essa, porque o que realmente importa para nós, é a desgraça alheia. Saúde não rende assunto. E o saldo disso tudo nunca é positivo.

VIDEOGRAFIA:


do álbum "Frank":


"You should be stronger than me..."

"Stronger Than Me"

"I came home this evening and nothing felt like how it should be
I feel like writing you a letter but that is not me, you know me
Feel so fucking angry don't wanna be reminded of you
But when I left my shit in your kitchen,
I said goodbye to your bedroom and it smelled like you..."





"Take The Box"
"Every thing is slowing down

river of no return
recognize my every sound
there is nothing new to learn..."


"In My Bed"
dir: Paul Gore


"Don't be mad at me,
Cuz your brushing thirty,
And your old tricks no longer work.

You should have known from the job,
That you always get dumped,
So dust off your fuck me pumps."

"Fuck Me Pumps"
dir: Marlene Hein


> Do álbum "Back To Black":

"It's not just my pride
It's just 'til these tears have dried..."

"Rehab"
dir: Phil Griffin


"Then you notice a likkle carpet burn
My stomach drop and my guts churn
You shrug and it's the worst
Who truly stuck the knife in first

I cheated myself
Like I knew I would
I told you I was trouble
You know that I'm no good..."

"You Know I'm No Good"
dir: Phil Griffin



"...And I tread a troubled track
My odds are stacked, I'll go back to black
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to...
I go back to us..."

"Back To Black"
dir: Phil Griffin


"...And in your way
In this blue shade
My tears dry on their own..."

"Tears Dry On Their Own"
dir: David LaChapelle


"...Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame..."

"Love Is A Losing Game"

"...Though we need to find the time
To just do this shit together
For it gets worse
I wanna touch you
But that just hurts..."

"Just Friends"


"...Are you shopping anywhere?
Change the color of your hair
and are you busy?
Did you have to pay that fine
That you were dodging all the time?
Are you still dizzy?..."

"Valerie" (Mark Ronson feat. Amy Winehouse)
Version
dir: Robert Hales

e mais:

"Valerie (Baby J Remix)"
Mark Ronson feat. Amy Winehouse and also featuring Rukus (Antourage), Precha (C.O.V), Alex Blood (Soul Alliance), and Malik (MD7)

Back To Black (Deluxe Edition)


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Me ame agora e previna um vasamento



"Uma pintura em movimento". É assim que Marli descreve o vídeo do segundo single de "Instalações Noturnas", que explora o conceito de video art que surgiu nos anos 60 com filmes experimentais de artistas de vanguarda. O vídeo de "Bruxas e Viúvas" mostra uma sequência de imagens surreais que representam o sonho/pesadelo no qual a personagem da canção está aprisionada. O vídeo também faz referência a "Six Men Getting Sick (Six Times)"o famoso primeiro curta-metragem do diretor David Lynch."



Marli
"Bruxas e Viúvas"
dir: Witched


Não há mais o que dizer: Simplesmente genial!

sábado, 28 de maio de 2011

Civilização é o caralho !!!

Em tempos modernos saudosistas, em que baseiam-se apenas no passado para justificar o presente, tentamos explicar o mundo. E no vão entre o trem e a plataforma aparecem pastores, adivinhos e afins prevendo fins catastróficos para o mundo. Mas o mundo planeja apenas acabar com a civilização humana. Aliás, o mundo não pretende nada. E você? O que você pretende?

A antiga filosofia de tempos distantes ainda é o que nos prende e domina. Os comandos de um tal nazista jazido mexem até hoje com pessoas no mundo todo. Intolerância tolerável define. A culpa é do Zoroastro.

O que nos restou, meros seres dotados de polegar opositor, foi tentar explicar (ou não) que o mundo não é o bastante. E que o ser basta. Mesmo que ele sequer exista. Nós damos um jeito de materializá-lo em formas de monumentais estátuas que tocam as nuvens. Mas alguém perguntou pro mundo se ele queria ter uma estátua gigante cravada em sua pele? Utilidade inútil define. Daí, na revolta, o mundo arruma uma utilidade pras estátuas endeusadas: destruir ruminantes, virando o mundo de cabeça pra baixo.
Civilização inexiste a partir de um clique no botão play:


JUSTICE
"Civilization"
dir: Edouard Salier



em breve, a versão 3D

sábado, 21 de maio de 2011

A fofa casa dos horrores

Ela se contorce no sofá, faz pose de diva, luta com serpentes e apresenta seu gatinho branco. O clipe começa assim, e parece ser só um simbolismo bobo. Mas, e quando os objetos da casa se revoltam? E quando o gatinho começa jorrar sangue na cara da moça? E quem será aquela misteriosa velhinha ao piano?

É quase tão assustador quanto Carrie, A Estranha e O Exorcista prum video de uma música que fala de amor rejeitado.


Alex Winston 
"Sister Wife"
dir: That Go (Noel Paul & Stefan Moore)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O clipe na vertical

Geralmente os videoclipes são em widescreen. Mas os indies da banda fofis Cloud Nothings quiseram inovar: Ah, esse formato já se gastou! Então, eles contam rapidamente um dia na vida de um carinha que herdou a casa da vó e foi fuçar nas coisas da falecida. Também faria isso se eu fosse ele:


Cloud Nothings
"Forget You All The Time"
Forget You All The Time
dir: Ian Glodich e Isaac Cohen

Simulando Ataques Epilépticos

Você sofre de ataques epilépticos? Então nem pense em dar play nesse clipe do malucão Bibio, integrante do casting de estrelas bizarras da gravadora masi malucona que há: a Warp Records.

Não sofre de ataques epilépticos? Quer saber como é um? Olha, pode dar play, mas por sua conta e risco. Se você for parar no hospital culpe o Bibio e a Warp por terem feito esse ataque psicodélico de luzes transpostas que piscam em forma de videoclipe.

Digno de replays, se você aguentar:

Bibio
"Excuses"
Mind Bokeh
dir: Michael Robinson/Moviate & Stephen Wilkinson

A ressurreição (?) de iamamiwhoami

Achei que a brincadeirinha de fazer mistérios videoclípticos tinha ficado em 2010, mas ela voltou. Joanna agora resolveu mostrar mais o rosto e continuar investindo nas misteriosas simbologias cinéticas.

O clipe começa com aquele cara de cueca que já apareceu em outros clipes caindo do céu num rio. Há uma casa, onde a cenografia impecável com paredes de isopor e uma cama de rolos de papel higiênico dão um tom sombrio. Aliás, a casa mais parece um laboratório onde, ouso arriscar, tem cheiro de erotismo. Vide a dança insinuosa que a estranha iamamiwhoami executa, ao som da sua música que começa a ficar mais pop, mas ainda assim atraente aos meus loucos ouvidos.

Digno de replays, apesar dos longos e arrastados 8:36 minutos muito bem realizados.

iamamiwhoami
";john"

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Definindo o Brasil atual

 Por mais que pareça, nenhum fato citado pelo MV Bill e ilustrado no clipe de "Causa e Efeito" é ficção. É a mais pura definição social brasileira: violenta, corrupta, desesperada, cheia de fobias... Para mais definições aperte o play:


MV Bill
"Causa E Efeito"
Causa E Efeito
dir: Ivan 13P e Alexandre De Maio

For the Underdogs!

Bom, se existem músicas de auto-ajuda, bem que "Losers", do lindo duo The Belle Brigade poderia ser uma delas. Não só por mostrar e esclarecer que vencedores realmente não existem, mas por ter toda uma força melódica, que essa passa a ser um dos meus hinos de libertação.

Libertação, mesmo! Já que o clipe mostra um carinha libertador de cães de guarda e que estão em petshops á venda. Sempre tive a vontade imensa de fazer o mesmo que ele faz no clipe quando vejo os animais presos como armas ou produtos. E de certo forma, essa libertação é humana também.


The Belle Brigade
"Losers"
The Belle Brigade
dir: David Altobelli

Porque todos nós não passamos de grandes perdedores, do início ao fim de nossas vidas mediocres. Mas cabe a nós sermos perdedores com causa ou perdedores sem causa. E lembrando que pra cada suposta vitória, existem milhões de perdedores !

                                              Perdedores


Sempre haverá alguém melhor que você

Mesmo se você for o melhor

Portanto, vamos parar a competição agora

Ou nós dois vamos ser vencidos

E eu tenho vergonha de sempre ter tentado ser melhor do que o resto

Mas irmão, eu não estou sozinho

Nós sempre tentamos chegar ao topo do mundo de alguma forma

Porque todos nós já fomos vencidos


Eu não quero ser estabelecido

Não, eu não quero morrer sabendo

Que eu passei tanto tempo quando eu era jovem

Só tentando ser o vencedor


Então eu quero deixar claro agora

Quero torná-lo conhecido

Que eu não me importo com mais com essa merda


Não me importo em ser um vencedor

Ou ser bom com as mulheres

Ou sair às sextas-feiras

Levando uma vida de festas

Não, não mais, não


Haverá sempre alguém pior do que você

Irmã, não deixe que isso te suba à cabeça

Porque você não vai estar no topo do mundo por muito tempo

Em constante competição


Isto não é sobre ninguém em particular

Mas eu poderia listar um monte de gente

Eu estou removendo-me da fila


Não me importo em ser um vencedor

Ou ser bom com as mulheres

Ou sair às sextas-feiras

Levando uma vida de festas

Não me importo em ser o mais difícil

Ou ser o favorito do papai

Ou que você pense que eu sou um mímico

Ou que eu sou um perdedor


Não mais!...




















Tudo pelos diamantes!

Vindos da areia da praia e prateados, os integrantes da banda Priestbird nascem, em meios a símbolos misteriosos e uma ajudinha praiana. Mas não basta existir, temos que continuar vivos. Mas como fazer isso em tempos tão rígidos? Ora essa, enriquecendo com diamantes!

Daí partem numa luta contra a natureza e forças ocultas pra encontrarem os diamantes, explorando o novo ambiente. Exploração essa que começa com eles sendo possuídos por instrumentos musicais...

Mas a busca pelos diamantes continua, até que descobrem a fome. Precisam comer, e a única solução é caçar... Mas o quê? Com uma ajudinha oculta, eles arranjam um camaleão gigante e partem pra arrebatá-lo!

Daí matam o camaleão gigante e por surpresa ou não, encontram os diamantes nos olhos do bicho.
Ricos! Ricos? Mas, quem ali vai querer diamantes? Que tal um cacto maldito?

Será?


Priestbird
"Diamonds"
Beachcombers
dir: Ron Winter

Lambendo videoclipes!

Esse é o por vezes sexy, outras vezes bizarro "Ice Cream", clipe novo da banda de math rock Battles, que de forma randômica e até ingênua dão uma alfinetada nas campanhas publicitárias, principalmente nas de sorvete, criando ambientes e fatos surreais pra mostrar o quanto imbecil pode ser um comercial de sorvete.

Nesse caso, surreal e digno de replays:


Battles feat. Matias Aguayo
"Ice Cream"
Gloss Drop
dir: Canada

sábado, 9 de abril de 2011

Um Brinde!

Um brinde às mortes nas estradas, aos atropelados por motoristas embriagados, às mulheres e crianças que apanham a cada porre do homem da casa, ao mercado que se sustenta com o alcoolismo, às propagandas de cerveja machistas, às indústrias que poluem o ar queimando cana, à exploração dos boias-frias que cortam a cana e vivem na miséria, às pessoas que perdem tudo e se auto-destroem por um copo de cachaça, ao dinheiro público gasto na recuperação de alcoolatras, às pessoas que morreram de cirrose... Um brinde à você que bebe socialmente e nem tem ideia de como o álcool chegou até você. Um brinde pelo combustível que você põe no seu confortável carro, mas nem imagina que crianças cortaram a cana pra extrair o álcool. Um brinde pra você que tem medo das bactérias, germes, vírus e higieniza suas delicadas mãos com álcool gel, com nojinho de doenças contagiosas... Um brinde! 

Tin-tin!

Saúde???


Inquérito
"Um Brinde"
Mudança
dir: Vras77

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Julgamento


Pink Floyd
"The Trial"
The Wall

O Julgamento ( The Trial )
Roger Waters


Promotor:
Bom dia, verme sua excelência.
A coroa pretende mostrar que
O prisioneiro diante de você
Foi pego em flagrante mostrando sentimentos
Mostrando sentimentos de uma natureza quase humana;
Isto não presta
Chamem o mestre!


Professor:
Sempre disse que não daria boa coisa, excelência.
Se me deixassem fazer à minha maneira
Eu o colocaria na linha.
Mas minhas mãos estavam atadas,
Os mais sensíveis e os artistas
Perdoavam-lhe tudo.
Deixe-me martela-lo hoje?


"Pink Floyd"(Personagem):
Louco, Macacos me mordam eu sou louco,
Fui fisgado mesmo.
Deveriam ter tomado minhas bolinhas de gude.


O Juri:
Louco, macacos me mordam ele é louco.


Esposa de "Pink":
Seu bostinha agora você está nessa,
Tomara que eles jogem a chave fora.
Você deveria ter falado mais vezes comigo
Mas, não!tinha que ser
Do seu jeito, destruiu muitos
Lares ultimamente?
Apenas cinco minutos, verme sua excelência,
Ele e eu, sozinhos.


Mãe de "Pink":
Filhiiiiiiiiiinho!
Vem com a mamãe filhinho,
Deixe-me segurá-lo
Em meus braços.
Senhor nunca quis que ele causasse
Algum problema.
Por que tinha que me deixar?
Verme, sua excelência, deixe-me levá-lo para casa.


"Pink Floyd"(Personagem):
Louco,
Embaixo d'água, eu sou louco,
Grades na janela.
Deveria haver uma porta no muro por onde entrei!


O Juri:
Louco, embaixo d'água, ele é louco.


Juíz:
A prova apresentada à corte é incontestável,
Não há necessidade do Júri se retirar.
Em todos meus anos de magistrado
Nunca ouvi de um caso
De alguém que merecesse tanto
A pena máxima da Lei.
A forma como fez sofrer,
Sua mãe e sua exótica esposa,
Me enche de vontade de defecar!


Promotor:
vai nessa juiz! Merda nele!


Juiz:
Desde que,meu amigo,
Você revelou seu
Medo mais profundo,
Eu lhe sentencio a se expor
Aos seus semelhantes.
Derrubem o muro!


O Juri:
Derrubem o muro!



quinta-feira, 17 de março de 2011

Puberdade em Um Minuto

Da infância ao fim da puberdade, um moleque faz o quê?

Bom, em poucos minutos, esse curta-clipe tenta reproduzir essa fase, que em alguns pontos diferentes do meu, o menino se torna homem.

Mas o que é tornar-se um homem?



Niklas A. Kröger
"One Minute Puberty"
dir: Alexander Gellner

Rapidinho...

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e colar:


Kaisoku Tokyo
"Copy"
dir: Takahiro Yasuda


Meus pêsames aos japoneses...

Profissão: Puta

Enquanto alguns rappers e MCs se desfazem e até tratam o corpo feminino como uma mercadoria e objeto de posse em meio à rimas e batidões, eis que vem o Emicida com um clipe que mostra bem o que eu conheço de perto: a labuta de algumas mulheres da periferia (ou do centrão)que encontraram na prostituição um meio para levar a vida. Sob o descaso público, a ótica de uma vida suja e a exploração cafetina de ambos os lados da balanaça social, poucos respeitam essa que, nem profissão é considerada.

Ninguém para mesmo pra enfiar na cabeça que nenhuma mulher / travesti gosta de ceder o corpo para um desconhecido se aproveitar e gozar suas necessidades sexuais. Até mesmo aquelas que dizem que gostam da profissão, não reparam de fato que são fichas do machismo, da criminalização da pobreza e da exploração do mercado de trabalho. Mulheres se dispõem a essas circunstâncias porque é um modo fácil de ganhar dinheiro? Não. Basta olhar em volta, pra fora da sua bolha que as respostas pipocarão na sua cara, amigão: pobreza, porqueira capitalista, e a mídia também... Mas por que desse jeito? A burocracia e a exigência de qualificação para se ter um "emprego digno" (como dizem) não fez parte da preparação delas. Muitas não estudaram, não tem família, foram expulsas de casa ou simplesmente foram enganadas para servir-se como um lanchinho da madruga, com promessas fúteis de uma vida melhor, no Brasil ou no exterior.


Também não vemos que muitas dessas mulheres não tem apoio algum, de ninguém, para criarem seus filhos. Julgamos que elas não têm nem família. No clipe da música "Rua Augusta", o Emicida mostra bem essa realidade abafada e mesquinha. Se juntaram, gravaram cenas na Rua Augusta e na Vila Mimosa, no RJ, os mais famosos points da prostituição do Brasil e encontram a protagonista real do clipe: Rosana, mostrando na real como é foda viver desse jeito e que faz por questões de sobrevivência e não porque gosta. O clipe dará origem a um documentário fora de circuito cinematográfico, com depoimentos recolhidos na Vila Mimosa.

A rua é nóis, e esse clipe mostra que a gente tem tudo a ver com a situação social do Brasil, e que dizer a verdade é o primeiro passo para desconstruir visões opacas e deturpadas das classe que todos pisam, mas ninguém quer sujar o sapato, porque dá trabalho limpar. Dá play aê:

Emicida
"Rua Augusta"
Emicídio
dir: Felipe Rodrigues e Lucas Gandini

sábado, 12 de março de 2011

O Café de Cada Dia

Homens. Homens de terno, segurando uma maleta. Homens que tomam café. Muito café. Homens que trabalham. Trabalham sem reclamar. Como se fossem máquinas sem vontade própria. Diariamente. Iguais.

Mas e se alguém se dá conta de que tá sendo usado, em meio a uma multidão que faz e obedece rigorosamente? Se alguém resolve sair da linha? Descarrilhar. Ser diferente. Ousar. Definir os próprios passos. Fugir. E se alguém resolve pensar?

Parem de tomar café!

Atente aos detalhes.


Brandt Brauer Frick
"Caffeine"
You Make Me Real
dir: Danae Diaz e Patricia Luna


MULHERES...
...DIA-A-DIA...
...E O MERCADO DE TRABALHO...

quarta-feira, 9 de março de 2011

As Mulheres

Os Movimentos feministas, o machismo, a exploração e o tráfico de mulheres, as diferenças no mercado de trabalho etc...

Tudo isso só reforça que não existe igualdade e que tá muito longe disso acontecer.
Há muito as mulheres pedem RESPEITO:

Aretha Franklin
"Respect"
I Never Loved A Man The Way I Love You




Um video que me dói ter que assitir, mas no mundo todo isso acontece diariamente:

The Killers
"Goodnight, Travel Well"
Day & Age
dir: David Slade



"Eles brincam com a segurança, são rápidos para assassinar o que não entendem. Movem-se embalados ingerindo mais e mais medo a cada ato de ódio do outro. Eles se sentem mais confortáveis em grupos, menos culpa pra engolir. Eles são nós. Isto é o que nos tornamos. Temos medo de respeitar o individual. Uma única pessoa dentro de uma circunstância pode fazer a outra mudar. Amar a nós mesmos. Evoluir."

Erykah Badu
"Window Seat"
New Amerykah, Pt. 2: The Return Of The Ankh
dir: Erykah Badu



E a Pitty nos descreve como é a desconstrução da Amélia:

Pitty
"Desconstruindo Amélia"
Chiaroscope
dir: Ricardo Spencer



E falando em desconstruir o tipo Amélia:

P!nk
"Raise Your Glass"
Greatest Hits... So Far
dir: Dave Meyers



E a intuição feminina?

Shakira
"Las De La Intuición"
Fijación Oral, Vol. 1
dir: Jaume de Laiguana



Ei, machão você quer muito elas mas não quer ouvi-las? Dexe-as falar:

Kid Abelha
"Me Deixa Falar"
Tomate
dir: Rubinho




A ausência do amor com a presença do dinheiro e no que as mulheres se submetem na prostituição:

Nega Gizza
"Prostituta"
Comp. 01/02 - Orgânico/Sintético
dir: Kátia Lund e Líbero Saporetti



Ui!

Fernanda Abreu
"Kátia Flávia, A Godiva do Irajá"
Raio-X
dir: Luiz Stein



Injustiçada, xingada e não-reconhecida, mas mesmo assim, cheia de vida. Elza Soares representa o que as mulheres passam nesse mundo:

Elza Soares e Letícia Sabatella
"A Cigarra"
Do Cóccix Até O Pescoço
dir: Gringo Cardia



Desde criança, as mulheres são encaixadas num padrão machista, que na vida adulta, trás consequências:

P!nk
"Fuckin' Perfect"
Greatest Hits... So Far
dir: Dave Meyers


+

Cássia Eller
"Malandragem"
Cássia Eller
dir: Izabel Jaguaribe



Sensualidade depende de formas ou atitudes?

Beth Ditto
"I Wrote The Book"
dir: Prince James




Madonna
"Justify My Love"
The Immaculate Collection
dir: Jean-Baptiste Mondino



Diversão?

Cyndi Lauper
"Girls Just Wanna Have Fun"
She's So Unusual
dir: Cyndi Lauper



Face e corpo esbelto ou voz estarrecedora?

Janis Joplin
"Piece Of my Heart"



A modelo? Beleza não é tudo:

Evanescence
"Everybody's Fool"
Fallen
dir: Phillipp Stolzi



Quem sabe ela é mais do que só uma garotinha?

No Doubt
"Just A Girl"
dir: Mark Kohr



Amy é mais macho que muito homem:

Amy Winehouse
"Stronger Than Me"
Frank



E as meninas crescem um dia:

Sonic Youth
"Little Trouble Girl"
Wasinhg Machine
dir: Mark Romanek



Disse Courtney Love: Eu sou isca de cachorro:

Hole
"Doll Parts"
Live Through This
dir: Samuel Bayer



E não é justo! Você nunca a faz gritar:

Lily Allen
"Not Fair"
It's Not Me, It's You
dir: Melina Matsoukas



Elas X Eles! Acho que sempre vai ser assim:

Christina Aguilera feat. Lil' Kim
"Can't Hold Us Down"
Stripped
dir: David LaChapelle





t.A.T.u.
"All the Things She Said"
200km/h In The Wrong lane
dir: Ivan Shapovalov



Poxa, por que ainda você as trata mal?

Of Montreal
"Famine Affair"
False Priest
dir: Nina Barnes e Jason Miller



E por fim, todas as mulheres do mundo:

Rita Lee
"Todas As Mulheres Do Mundo"
Rita Lee