quinta-feira, 28 de julho de 2011

A cristalização galáctica de Björk Guðmundsdóttir




Björk está de volta, goste ou não. Quando Björk volta quer dizer que algo novo virá, foi assim a cada novo álbum dela desde 1993. E durante sua carreira esse ser islandês já passeou, mastigou, distorceu e repaginou praticamente todos os ritmos musicais do Planeta Som: Do punk anarquista ao drum'n'bass...
Daí que esse blog pagão é adepto à ela e esse ano ela lança Biophilia, um álbum em parceria com a Apple todo trabalhado no iPod e será lançado como um aplicativo. Viu? Coisa nova!

O primeiro single é Crystalline e por isso vamos ao clipe:
Com a parceria já antiga, mas sempre inovadora, de Björk com o genial Michel Gondry, o video é uma mistura de animação gráfica, stop-motion e, praticamente, artesanato de areia.

Não vou ousar tentar explicar esse clipe, porque eu teria que ser meio astro-físico e entender de astrologias etc. pra chegar a uma resposta decente. Mas meu palpite é que ao som de Crystalline, cai uma chuva de meteoros, que fertilizam a terra de um planeta sem graça e fazem crescer cristais em seu solo, que emitem sons cristalinos. Björk pode estar representando o nosso amigo Sol, emitindo raios flourescentes para que os cristais façam sua fotossíntese e, a partir daí, possam se multiplicar pelo planeta e, posteriormente, se arrastar a outros planetas formando então uma galáxia cristalizada, provavelmente chamada de Crystalline.
Os desenhos de Gondry representam as raízes dos cristais, que por serem regados por chuvas de meteoros e banhados por raios de sol/Björk fluorescentes, transformam o subsolo em um enorme campo magnéico (provavelmente positivo, seguindo o conceito dos prótons e elétrons) que alcança o núcleo do planeta.

O resultado dessa mistura é uma claustrofobia planetária subjulgada frenética, que pode ser vista no final do clipe, quando os cristais octógonos e polígonos viram caquinhos, formando uma espécie de órgão sônico ramificado, murmurantemente grave, expandido pelos dedos da Björk-Solar, transformando então os cristais em faíscas. Dá-se então a moral da história:

"É a faísca que você vira
Quando subjulga a ansiedade..."
Nada muito conceitual, que não fará os hipsters pirarem nadinha. Eu pirei por acaso? 
Dá play então, porque essa obra é digníssima de replays:
Björk
"Crystalline"
Biophilia
dir: Michel Gondry

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