domingo, 21 de agosto de 2011

Seu dia de sorte no inferno

A sorte lançou as pedras no caminho para que, no primeiro tropeço, ela caísse pra fora da estrada. E, de fato, caiu. Entretanto, isto não lhe foi de tanto mal. Fora do caminho tudo era mais interessante e quando os lábios não tinham nada por dizer, eles ficavam selados.

Assassinatos psicóticos começaram a ocorrer. Boletins de ocorrência eram os únicos desejos nas delegacias. A sorte pôs-se a matar. Matou quem a desejava com fervura. Nas mais sujas e simples trapaças, cada vez mais gente caía fora do estrada, que por pior que fosse o tombo, não machucava tanto comparando-se ao tombo de uma ponte. Mas o caminho todo eleva-se a ponte. Afortunados são os que não atravessam pontes, pensava a sorte.

Mas, por mais oblíqua e intra-renal que fosse, a Sorte, em seu estado único e capacidade voraz de convencer o destino a mudar de opinião, a Sorte bocejava para aqueles que mais necessitavam de seus alardes. Pessoas já apodridas, podres continuariam se dependessem da boa-vontade sorteada.

A ironia, então, ao observar tamanha fraude que a Sorte praticava, palhaça que era, resolveu estacionar na faixa principal do destino da Sorte. Para tanto, a Sorte agora precisava de sorte. Estava vã e cega. Adoeceu nas entrelinhas. O destino? Não se importou um segundo que fosse. Quem o manipulava desde sempre fora a moribunda Sorte.

Sorte, quem precisou dela nunca foi atendido. Agora ela precisa dela mesma, mas não há caridade que atenda algo tão complexo. Pois, quem tem a força para dobrar a esquina do destino, quando adoece, não há quem cuide: Não há algo mais forte do que a coisa mais forte de todas, mais forte que a própria morte! No caso, a sorte.

Neste dia, por deliberada ironia, a Sorte aprendeu então que não se sabe quem pode estar a tocar a campainha!


eels
"Your Lucky Day In Hell"
Beautiful Freak
dir: Jamie Caliri

O Reflexo da Porcelana Nos Olhos de Quem Ama

A porcelana não é vidro
Mesmo assim, se quebrou.
O pajé proclama a tribo:
"Nosso fim, fim de mim, fim da dor"

Traga as metaloproteínas
Às pneumáticas meninas,
Surpreendente sina
Do assassino na chacina.
Falta de vitamina.
O balaço atravessou a retina.
O reflexo da porcelana se encaminha...
Sangra amor, se faz de vítima, se contamina
Com aquela proteína transportada pela hemoglobina.

Ar-ras-ta-da-de-pres-são
Pres-sio-nan-do-a-pai-xão,
Romântico suicida, mode-on.
Ocorrências com frequência,
Frequentada eloquência,
Sanidade é a sentença.
Senta-se esperando o que não se sente,
A mente mente,
Veneno de serpente,
Agente concorrente,
Tente, tente, tente!

Tente enxergar quando o reflexo da porcelana se quebrar.
Tente não cegar quando o sexo de quem amas se mostrar.
Porque embaixo ou encima da cama,
Posição sagrada, posição profana,
O ápice dispara, com apreço e tara
O reflexo da porcelana nos olhos de quem ama.


Moby
"Porcelain (vr.1)"
Play
dir: Jonas Äkerlund

So this is good-bye...